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abril 25, 2011

Noite de Lua cheia



                                         

  Uma noite trivial. Aos olhos de quem não viveu o que vivi. O rutilar das estrelas na chegada da noite anunciava: Era noite de lua cheia. O fumaçar do escuro embriagava-me os passos. Sem direção começei a vagar pelo crepúsculo. A lua gigante mal conseguia clarear as calçadas e ruas, pois elas eram  cercadas de paredes enormes e rudimentartes. Cenário assustador. A blasfêmia queria aponderar-se do meu corpo tentando atingir meu consciente para mitigar meu estado de pânico.
  O silêncio  da madrugada que já surgia, foi dilapado po um ruído estrondoso. Mais parecia um monstro. O coração descompassa-se. A boca seca. O sangue não circulava. Definitivamente eu expressava pela primeira vez um sentimento. Eu sentia medo.
  Tropeçava, trocando passos suavemente. Eu não poderia ser percebida ali. Eu não podia arriscar tudo agora. Minha vida é tudo que tenho.
  O rangir dos meus dedos ao encostar nos portões não parecia ser o mesmo. Súbito e tênue como nunca. Eu precisava de pouco barulho, afinal. Uma vez que o medo podia seguir seu percurso, o que não seria nada agradável. E seu ficar louca ? Não. Não hoje.
 Imagina quem estava a minha espera no portão? Bem vestido. Os olhos ofegavam. A raiva estampada no rosto e num sorriso irônico. E ainda com um chicote na língua. Lá estava ele. Meu pai.
  Os pensamentos retornam a realidade e me fazem lembrar em voz aguda na memória: Hoje é aniversário do seu pai. Apavorada e aos gritos saí pela casa gritando. E ainda deu tempo de deixar todos os convidados do papai assustados. Também pudera. Você festajando seu aniversário com os amigos  e do nada surge uma garota paranoica, morrendo aos gritos. Realmente isso é assustador.
  Sabe, as noites tem se tornado algo muito perigoso, em se tratando dos meus sonhos. A única coisa que não dá para entender, é como meu pai foi parar nos meus sonhos, ou melhor no meu pesadelo.
                                                                              

                                                                                                                     Shayene Bravo Alves


Imagem fonte: http://2altos.blogspot.com/2011/04/nossa-noite-da-lua.html

abril 07, 2011

A luz de velas

   Abaixo segue um ato rotineiro mesclado com alguns imprevistos também rotineiros. E que na boa ?! Não podem passar despercebidos. São desses pequenos acontecimentos que aprendemos grandes lições para todo e sempre.



Um dia comum. Até o tempo virar e começar a chover. Um tempo traumatizador. Trovejava muito. Minhas tarefas escolares ? Essas todas atrasadas.
   Sabe aquele dia que tudo parece conspirar contra você? Pois é, um dia  tão comum e uma chuva , tornaram minha noite num verdadeiros caos. No telhado o barulho monstruoso dos pingos da chuva, as janelas impulsionadas pela ventania quase se rebentavam contra o vento. Foi nesse exato momento que minha noite tornou-se a " noite mais romântica de toda minha existência. A energia acabou. Foi por algusn longos minutos que eu e meu belíssimo, de visual atraente, meu caderno de gêneros textuais nos encontramos a sós. Naquele instante o clima estava formado. Foi incrível. E mais incrível ainda foi enxergar as linhas e entrelinhas no embaralho das luzes flutuantes das velas improvisadas para tentar escrever.
   Enfim, dá pra se tirar uma lição. Uma não, duas talvez. A primeira delas, não devemos deixar nada para fazer em cima da hora prevista. E a outra? Simples. O clima é a gente que faz.


                                                         Shayene Bravo Alves

março 24, 2011

Pesadelo

                                          Uma madrugada inesquecível
  Algo estranho havia acontecido, passei por ruas cobertas pelas névoas do anoitecer. Um vulto me cresce a atenção, grito, mas ninguém responde. A noite havia sufocado as luzes e meus pés cansaram-se. Alguém estava me seguindo, contudo meus olhos não revelavam a direção. Os sinais da Catedral soaram as ultimas horas, um som forte que me ecoava a mente.
A madrugada molhava-me o rosto nos seus sinais, uma neblina fria bailava em minhas pálpebras. Eu parecia chorar. Novamente ressurge o vulto, só que agora com mais velocidade; de espantada que fiquei, comecei a correr. Naquele momento eu percebia que toda prosopopéia fazia sentido afinal. As casas pareciam correr em minha frente, foi uma corrida contra o tempo e contra a parede. Os sinos pareciam vozes rudes aos meus ouvidos. Eu estava enlouquecendo.
Minha vontade era que naquele momento eu pedisse perdão de todos meus pecados para livrar-me de tamanho sofrimento. Será que isso bastaria? Essas coisas estranhas que me perturbavam liam meus pensamentos ou ainda pior manipulavam-nos. Foi horrível. Uma sensação de estar sendo enforcada por pessoas frias e obscuras. A crueldade me assola. Eu trepidava, suava gelado e meu corpo paralisou quando senti a mão de uma mulher tocar minha face. Eu estava estática e soluçava aos choros, queria gritar, mas algo impedia minha voz de sair. Fui levada para os piores lugares de todo o mundo com apenas um olhar negro flertado por aquela mulher. Passei por montanhas, precipícios. E o mais incrível? Sem sair do lugar. Os olhos daquela coisa macabra me assustavam a cada segundo que se passavam. Tentei impulsionar meu corpo na tentativa de fugir, tentativas em vão. No passo brando que caminhei tropecei em alguma coisa. Eu diria que era uma faca, porém eu não podia pensar nessa hipótese. Não agora. O pavor era o ultimo sentimento que poderia sentir naquela hora. Meus pés?  Pois é, estavam mergulhados em um sangue que mais parecia um lago, que brotava e brotava. Novamente congelei. Naquele instante eu precisava sair dali. Com meu corpo incontrolável, com um impulso desgovernado, desajeitado, bati com minha nuca contra parede.
Meus olhos abriram-se aos poucos. Uma luz farta me ardia à face, era sexta- feira eu tinha acabado de me despertar de um pesadelo. O relógio soava. Estava na hora de voltar para o mundo real.
Esse momento de fuga da realidade com certeza vai ficar para sempre marcado. Afinal quem nunca passou por isso?
                                                                                 




                                                                                                          Shayene Bravo Alves